27 Fevereiro 2009

Revolutionary road

medium_715.jpgAh e tal é um filme que anda praí na boca do mundo, bora lá ver para ter uma opinião sobre o dito. E a opinião não é grande coisa e quando deixo de ter posição na cadeira do cinema não é mesmo bom sinal.

O tema é oportuno e acho que todos nós nalgum momento já sentimos alguma coisa parecida, mas a dinâmica e a intensidade não estão bem repartidas e o resultado é que já não sabia em que posição me sentar de tão chato que achei o filme!

Ele, apesar dos supostos 30 anos continua a parecer um adolescente, ela supostamente da mesma idade parece 10 anos mais velha! Ele, trabalhador de escritório que detesta o trabalho que tem, ela uma dona de casa aspirante a actriz, falhada, a viverem nos subúrbios e com a vida que nunca quiseram ter mas na qual foram apanhados pelas circunstancias, pelos filhos, pela necessidade de os sustentar etc…

É a rotina que os mata, que NOS mata a todos, os papeis sociais que desempenhamos: ele o chefe de família que sustenta a casinha branca, a mulherzinha e os filhos a brincar no relvado; ela a dona de casa aprumada de avental que espera a volta do marido ao fim do dia. São os dias todos iguais, a falta de ambições maiores e sonhos por concretizar!

Até que ela tem a ideia brilhante de deixarem tudo e irem para Paris, para que ele tenha tempo para decidir o que quer fazer com a vida… (serei só eu que não compreendo esta dialectica ela deprimida/ele pensa na vida?) E ele, que também não gosta particularmente da vida que tem, deixa-se convencer e de repente tudo parece possível, passa a ir sorridente para o trabalho, as coisas correm melhor, os resultados aparecem…tudo com base na expectativa de ir para Paris pensar na vida !!!

Mas a dita vida por vezes troca-nos as voltas e por causa de uma gravidez acabam por abandonar o plano. O plano de não serem um casal de classe média dos subúrbios americanos, o plano de terem vidas especiais porque se sentem especiais… o plano de se sentirem vivos outra vez!

Por fim a frustração dela, por não conseguir fugir da vida rotineira a que o seu papel social obriga, a raiva dele por não conseguir faze-la feliz, a cedência ao comodismo do “aqui também podemos ser felizes”, leva a um fim trágico e a moral da história não podia ser mais triste: estamos todos condenados!

Quanto a mim, acredito que existe a possibilidade de nos sentirmos vivos e especiais apesar da rotina e que os mecanismos que cada um arranja para a tornar suportável, são precisamente o que nos torna especiais. Viver todos os dias cansa, mas se desistimos e deixamos de ter esperança é que estamos realmente condenados!